É curiosamente comum ouvir coisas do tipo "nós somos diferentes" ou "somos incomuns", mas nunca realmente esclarecem como é essa diferença. Tipo, não é porque você escuta uma música mais densa ou menos conhecida que você é uma pessoa diferente, muito menos porque você curte teatro, detalhes não modificam o todo, pode-se gostar dessas coisas mas todo o resto ser mais do mesmo, entende?
Então, somos um casal incomum, pelo menos em comparação a todo o resto das pessoas que conhecemos e da sociedade em que vivemos, ninguém que está em nenhuma nível de amizade ou contato conosco faria (ou pelo menos achamos que não) um blog para mostrar os fetiches e desejos, seria algo até abominável para alguns deles. E não se resume a isso nossa relação, fetiches todo mundo deve ter, a questão toda está em como isso surgiu, em como começamos e nossas expectativas até o momento em que tais desejos foram aflorando, desejos esses que até então eram incomuns para nós.
Começando pela diferença de idade; claro, claro, pode ser besteira, mas pra o meio em que vivemos e para nós (um de nós na verdade), era "inviável, impensável e inquestionável", até pelos gostos pessoais, não havia atração nenhuma, e, se um ano de diferença abaixo já era impossível, dez anos a menos era totalmente absurdo. Alguns acham normal, afinal a maioria dos casais que conhecem tem alguns anos de diferença, a questão é: o homem sempre é mais velho, e esse não é o nosso caso. Eu, Oreki, tenho 20 anos de idade no momento em que estou escrevendo isto, e minha mulher, Eru, 31. Visualize, uma mulher que cresceu e viveu numa cidade do interior que é voltada praticamente em sua totalidade para a religião católica, divorciada na época, mãe de três filhos, que nunca saiu com nenhum homem na vida a não ser o ex-marido, se apaixonar por um moleque que não tem onde cair morto, que não é da cidade e que estuda na mesma sala da faculdade, sendo que, durante quase um ano, nunca trocaram uma palavra. Pois é, já deu pra entender um pouco do incomum, mas não se preocupe que não para por aí.
Não vou entrar em muitos detalhes agora, mas digamos que, quebrar essa barreira foi libertador em diversos sentidos, e sim, isso inclui o sexual."Ah, ela se deu bem, pegou um novinho", pau no seu cu, ou vocês acham que tudo na vida é interesse? Pois bem, começamos a namorar, e assim, não foi algo construído e pensado, basicamente no dia em que ficamos já começamos a namorar. Perdeu essa linha? Eu repito: começamos a namorar a partir da primeira vez que ficamos. Costumo dizer que somos precoce (e somos, de certa forma), muita coisa aconteceu muito rápido, coisas que nunca tínhamos sentido antes surgiram, evoluímos mais rápido que pokemon, em alguns momentos era assustador (mais pra Eru, porque né), mas em outros era mágico, sublime, divino, um sintonia tão boa que nem a globo via satélite consegue bater.
Resumindo, esse é meio que o começo da nossa história, muita coisa ainda está por vir, muita coisa ainda será contada, mas isso somos nós, bem vindo à nossa vida loka.
Carinhosamente, Oreki.